CLÍNICA HONORATO: SUICÍDIO

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Suicídio: pode ser definido como um ato deliberado executado pelo próprio individuo, cuja intenção seja a morte, de forma consciente, intencional, mesmo que ambivalente, usando um meio que ele acredite ser letal.

Comportamento suicida: pensamentos suicidas, planos de suicídio e a tentativa de suicídio, sendo que apenas uma pequena proporção do comportamento suicida chega ao conhecimento dos profissionais de saúde mental. É importante salientar que feito pelo paciente o comentário de que deseja morrer, seja ele uma vez ou várias vezes, mesmo não havendo tentativas de suicídio, isso seja levado em consideração com muita importância.

Suicídio no mundo:

A cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio;

A cada 3 segundos uma pessoa tenta suicídio;

Cada suicídio tem um impacto em pelo menos outras 10 pessoas próximas, podendo até ser maior;

Em 2020 a previsão é de que tenha um aumento de 1,5 milhões de morte por ano, sendo que é uma causa que pode ser prevenida;

50% das mortes violentas são por suicídio;

O suicídio é responsável por aproximadamente 10 a 15 mortes a cada 100.000 pessoas;

Para cada suicídio completado existem 20- 40 tentativas;

Nos últimos 45 anos o suicídio aumentou 60% no mundo;

Na idade de 15 a 34 anos está entre as três maiores causas de morte;

56 % de todos os suicídios de mulheres no mundo ocorrem na china;

As principais doenças psiquiátricas relacionadas ao suicídio são: transtorno de humor (depressão), transtornos relacionados ao alcoolismo e uso de substâncias ilícitas, transtornos de personalidades e esquizofrenia;

Métodos comuns de suicídio: intoxicação exógena (medicamentos e pesticidas), queimaduras, arma de fogo, arma branca e traumas em acidentes automobilísticos, jogar-se de locais elevados ou em trilhos (trânsito/metros);

Os homens cometem 3 a 4 vezes mais suicídios do que as mulheres;

As mulheres tentam 3 a 4 vezes mais suicídio do que os homens;

A própria casa foi o lugar predominante do suicídio seguido pelo hospital;

56 % das pessoas que tentam suicídio morrem na 1ª tentativa de suicídio;

40 % dos que tentaram suicídio repete ao longo da vida, 20 a 25 % nos 12 primeiros meses;

1 a cada 4 dos que tentaram suicídio faz nova tentativa no ano seguinte;

12 % das pessoas que tentaram suicídio acabam se suicidando em 10 anos (38 x população geral);

8,9 % dos que tentaram morrem por suicídio após cinco anos;

75 % das pessoas que tentaram suicídio procuraram um serviço de cuidados primários;

Em média 45 % dos suicidas haviam procurado atendimento médico um mês antes do ato;

Mais de 1/3 das pessoas que tem ideação suicida, mantem por 10 anos.

Observando estes dados epidemiológicos concluímos que o suicídio é uma epidemia silenciosa e um problema de saúde pública totalmente negligenciado por todos nós e pelo poder público, seja municipal, estadual e federal, além de ser uma causa de morte que pode ser prevenida, ou seja, esta realidade pode ser mudada já que os estudos mostram que quase 100% das pessoas que cometem suicídio tem uma doença psiquiátrica e sinalizaram de alguma forma.

Então fica claro que o estigma e o preconceito relacionado às doenças psiquiátricas e ao uso dos psicofarmacos estão contribuindo diretamente nas mortes destas pessoas.

Por isso não deixe que o preconceito e o estigma continuem levando pessoas próximas a tirar a própria vida, procure ajuda e estimule pessoas próximas que estão com sinais e sintomas de doenças psiquiátricas a procurarem ajuda de um profissional de saúde mental, seja psiquiatra ou psicólogo (a) e não espere acontecer com você.

Setembro é o mês de prevenção ao suicídio e o amarelo simboliza a prevenção, sendo que o dia 10 de setembro é o dia mundial de prevenção ao suicídio, então não vamos ficar calados e divulguem estes conhecimentos para seus amigos, pais, irmãos e para todas as pessoas próximas de você, pois com isso uma vida pode estar sendo salva.

Psicoterapia e Comportamento Suicida

A Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) engloba conceitos e técnicas de duas abordagens: Terapia Cognitiva e a Terapia Comportamental. A abordagem cognitiva foca o trabalho terapêutico sobre os fatores cognitivos (pensamento) que estão na etiologia e na manutenção de determinada psicopatologia, já a abordagem comportamental proporciona a compreensão dos fatores que o mantêm possibilitando meios de alterar condições inadequadas.

A TCC vem-se demonstrando eficaz no tratamento de muitos transtornos emocionais, que inclui o suicídio. Sua eficácia na área da prevenção do suicídio reveste-se de especial relevância, tendo em vista os dados que demonstram um aumento na incidência de suicídio entre adultos e adolescentes. O preparo técnico do terapeuta cognitivo para o atendimento adequado ao paciente suicida é de fundamental importância. Quando é identificada, pelo terapeuta, a presença de ideação (desde o pensamento mais simples ao mais complexo) e comportamentos suicidas no paciente, toda atenção concentra-se sobre os mesmos.

Comportamentos Suicidas: Primeiramente, necessitamos distinguir entre os vários níveis de comportamentos suicidas, desde a ideação suicida, em que o paciente começa a contemplar o suicídio como uma solução viável para os seus problemas, até propriamente a tentativa de suicídio e o suicídio consumado. Comportamentos suicidas podem apresentar-se disfarçadamente: decisões súbitas de, por exemplo, preparar um testamento; afirmações que denotam desesperança, como “minha vida não vai melhorar”, “meu futuro é vago”, ideias de que os demais estariam melhor com minha morte, como “sou um peso para todos”, ideias de fracasso em satisfazer as expectativas de outros, como “desapontei a todos” e também salienta-se a visão negativa do mundo/do outro, expressa em frases do tipo: “as pessoas são injustas”, “o mundo é cruel”, etc.

De acordo com os estudos 75% dos indivíduos que desejam morrer, por ver a morte como a única solução para seus problemas procuram um serviço de atenção primária. Esse indivíduo que comunica seu desejo de morrer pode estar solicitando na realidade, um pedido de ajuda. Existem outras formas de avaliarmos a intencionalidade. Devemos questionar o paciente a respeito de seu conhecimento sobre possíveis métodos que ele consideraria a utilizar, entre eles, a letalidade, o acesso ao método e sobre medidas que já pode haver empregado para investigar diferentes estratégias instrumentais de utilização. Essas informações, em conjunto, permitem ao terapeuta avaliar a gravidade da intenção suicida versus o desejo de comunicar a intenção como um pedido de ajuda.

Alguns clínicos defendem a ideia de que abordar diretamente o suicídio, inclusive usando os termos “suicídio” e “suicida”, pode induzir o paciente a considerar essa alternativa. Contudo, os estudos sugerem a improbabilidade da mesma, e indicam ainda que a evitação do assunto pode sugerir ao paciente que o terapeuta compartilha do preconceito social e cultural, e talvez até religioso, contra suicidas.

Avaliação Objetiva:

Dentro do acompanhamento psicoterápico são utilizados questionários que abordam questões relacionadas à tentativa de suicídio, o qual é preenchido pelo paciente, e após o preenchimento é feito uma análise pelo terapeuta com objetivo de avaliar e identificar os pensamentos do paciente a respeito de uma possível tentativa de suicídio.

Embora todos os suicidas apresentem quadro de doenças psiquiátricas (Transtorno de humor, transtorno relacionado ao alcoolismo e outras drogas ilícitas, transtorno de personalidade e esquizofrenia), os estudos demonstram que a desesperança e sentimento de fracasso são construtos centrais de risco para o suicídio.

Fatores Cognitivos de Risco:

Além de fatores demográficos e sociais de risco crônico e agudo, estudos sugerem vários fatores cognitivos de risco, que devem ser investigados. Além da desesperança como um fator de risco tem: o autoconceito. Em adultos, o autoconceito indica um fator de risco, independente da desesperança. Em crianças, porém, o autoconceito está relacionado à depressão e à intenção suicida, porém apenas quando na presença da desesperança. O autoconceito refere-se à dimensão “eu” da tríade cognitiva (visão negativa de si, do mundo e do futuro). Quanto à forma de processamento de informação, o suicida demonstra tendência aumentada a distorções na interpretação de seu real. As formas mais frequentes de distorções, que refletem em termos gerais uma rigidez cognitiva, são: a abstração seletiva, em que o indivíduo abstrai de seu real apenas as evidências que confirmam suas expectativas pessimistas e negligencia evidências contrárias; a supergeneralização, em que o indivíduo utiliza-se de termos generalizantes como “nunca” ”sempre”, “tudo” ”nada”; e o pensamento dicotômico, que denota uma forma extremista e perfeccionista de avaliar seu real em termos de, por exemplo, “ótimo” ou “péssimo”, ou seja, não considerando possibilidades intermediárias mais realistas. Os fatores determinantes da ideação e comportamentos suicidas – o pessimismo e desesperança.

A questão dos cuidados psicológicos é fundamental quando se trata da questão do suicídio. É impossível prevenir todos os casos de suicídio, contudo, a habilidade em lidar o mesmo faz a diferença, pois milhares de vidas poderão ser salvas todos os anos se todas as pessoas que tentaram suicídio forem adequadamente abordadas e tratadas.

Dr. Francisco Honorato Leite médico psiquiatra, Dra. Kelle Nunes Pereira psicóloga e Dra. Daniele Celino Arpini psicóloga.

Atendimento na clínica Honorato de segunda a sexta pela manhã e tarde (das 8 horas ao meio dia e das 14 às 18 horas) e no sábado pela manhã (das 8 horas ao meio dia).