MOMENTO DE REFLEXÃO COM GUTO DE PAULA

 

AS DIFERENÇAS

Por influencia religiosa parte da humanidade, ou melhor, com maior frequência nos países latinos mais apegados ao Cristianismo costuma-se dizer que somos todos irmãos.

Pensando bem, dizer é muito fácil, aceitar, acreditar e ter essa ideia como um princípio para a vida é bem mais difícil.

Se assim não fosse, não teríamos tantos conflitos com as atitudes, comportamentos, preferencias sexuais e politicas de nossos entre parênteses: irmãos.

Chegamos até ao ponto de afirmar ou pensar que são minorias, ou ovelhas desgarradas do rebanho porque nos acreditamos superiores e mais numerosos. Os mais corretos ou os normais. Todavia por evolução e por transformação o mundo está se modificando com grande velocidade e o que pensávamos pertencer a um pequeno grupo pode hoje ser uma legião em

franco crescimento.

Nossa crença pode nos levar a pensar que somos de fato todos irmãos, mas a realidade e a crueza da vida nos afasta dessa ideia porque não nos sentimos à vontade sendo irmãos de marginais, de corruptos, estupradores ou débeis mentais.

Com todos os dispositivos e instrumentos de comunicação cada vez mais avançados é hoje nas redes sociais que se espalham as informações. Com essa prerrogativa é possível passar a diante mensagens corretas, criar situações de conforto e desconforto, deturpar verdades, criar mentiras e enfim dar vazão a tudo o que pretendemos expor.

Tornou-se comum aproveitar-se de uma situação de momento para cair matando em um assunto do qual temos natural aversão. Pode ser questão politica, comportamento social ou sexual, não importa as opiniões divididas ou não tomam conta das redes sociais num bombardeio de opiniões.

A ideia primeira de que somos todos irmãos cai por terra e perde o sentido. Com toda a evidente evolução humana se comparada aos primórdios da Historia da Humanidade ainda temos uma enorme dificuldade de lidarmos com as diferenças. Principalmente quando por educação familiar somos disciplinados para pensar de uma forma e a vida social futura nos leva a outros entendimentos.

Nem todos somos revolucionários, nem todos nos adaptamos ao novo com facilidade, grande parte de nós prefere aceitar verdades herméticas e imutáveis, por não entenderem que o próprio planeta está em movimento e que tudo tende a se transformar.

Enfim, podemos ser ou não irmãos, por força ou ausência de crença. Mas do que temos certeza absoluta é que todos somos imperfeitos e passiveis de tomarmos inúmeras decisões erradas e contraditórias.

Para evitarmos a construção do caos, precisamos exercitar muito mais a paciência, a resiliência e a tolerância, para o convívio com aqueles que podem ou não serem nossos irmãos seja cada vez mais equilibrado.

Guto de Paula

Alô Alô Salomão