RUY REZENDE LANÇA SUA ARTE NO OESTE BAIANO

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O espírito aventureiro e imersivo, de um legítimo desbravador na busca incessante por novos lugares, que possibilitem à descoberta de imagens ainda desconhecidas, é uma característica marcante na vida do fotógrafo baiano Rui Rezende. A busca pelas melhores fotos, fez com que Rui Rezende sobrevoasse o Oeste da Bahia em mais de 50 horas de voo.

Em uma dessas aventuras, uma fatalidade interrompeu os trabalhos do fotógrafo. Ele sofreu um grave acidente aéreo, com repercussão nacional, quando sobrevoava o oeste baiano, justamente para fazer as fotos que integram o seu mais recente projeto. Após 130 dias de recuperação, Rui conseguiu superar essa adversidade e festeja a vida com o lançamento do livro de fotos, “Oeste da Bahia – O Novo Mundo”. Um trabalho incessante, que durou 3 anos e meio de pesquisa in loco, e conta a história da região através de 228 imagens, coloridas e em preto e branco.

Ruy Resende

 

O lançamento será realizado nas cidades de Barreiras (13/12) e ?Santa Maria da Vitória (15/12)?. ? Em Salvador, o livro será lançado no dia 20 de dezembro, no Forte Santo Antônio da Barra (farol da Barra), das 17 às 21h, com exposição fotográfica e exibição de um vídeo com cenas do making off, no melhor estilo Road Movie.  Ao folhear esse trabalho artístico, o público terá a oportunidade de conhecer mais de perto uma região esquecida, perceber as sutilezas de uma natureza viva em formas e cores que se alinham poeticamente e encanta. Lançar os olhos sobre este livro é viajar no tempo e a cada página virada, o oeste se faz transbordar no íntimo de cada um. Não há como fugir a esse sentimento de pertencimento.

Descobrindo o Oeste…

Percorrer as trilhas traçadas pela própria natureza e fazer desse passeio um importante e valioso registro, este é o desafio do fotógrafo que, com sensibilidade e técnica incontestáveis, consegue perpetuar o momento exato, mágico, imortalizando e tornando visível o que muitos não conseguiriam enxergar. Essa é a verdadeira alquimia da arte da fotografia. E é justamente nessa metamorfose que se concentra o olhar e o talento de Rui Rezende.

Rui Rezende conheceu o Oeste em 2002, nos municípios de Barreiras e São Desidério e voltou em 2005 para produzir umas imagens para uma editora. Ficou impressionado com a vastidão da paisagem, com suas luzes e cores, e com as plantações que iam além da linha do horizonte. A ideia do livro surgiu quando o fotografo estava num voo em direção a Barreiras. Olhando as paisagens ele imaginou que aquele lugar poderia render belas imagens capazes de ilustrar um livro fotográfico. Quando retornou a capital baiana, logo deu início a elaboração do projeto que depois foi abraçado pela Galvani Fertilizantes, o patrocinador exclusivo do projeto.

O trabalho em fazer um registro da região do oeste baiano, durou aproximadamente 3 anos e meio e fez com que Rui visitasse todos os 35 municípios da face oeste do Rio São Francisco, que somados seria como se tivesse percorrido as áreas dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Sergipe juntos. Acumulou mais de 120 mil km rodados, chegou a percorrer 1.100 km em um único dia. Além de mais de 50 horas de voos por toda a região. Ao longo desse período, enfrentou todas as intempéries provenientes do tempo e das situações naturais, como muita chuva, atoleiros, poças ?d´água e areia fofa.

Em outras ocasiões, precisou usar barcos, botes, e até um colchão inflável para navegar nos rios da região, além de equipamentos para técnicas verticais, possibilitando melhores ângulos, fazendo com que a trip se tornasse ainda mais desafiadora.

O olhar de Rui Rezende se mostra contundente e sublime ao revelar pessoas, animais, árvores, monumentos, o agronegócio, as grutas e o majestoso Rio São Francisco – o “Velho Chico”, entre muitas outras imagens, com a inocência de uma criança, que brinca sonhadora no quintal de casa, criando suas próprias histórias. Dessa forma o fotógrafo surpreende justamente por penetrar no tempo que já se encontra lá, em seu lugar, capturando-o e revelando-o na sua forma mais preciosa, preservando e conservando a memória viva de um lugar, rico, majestoso e impar na sua forma natural de se mostrar.

Conhecendo Rui Rezende… Retratista

Rui Rezende, se apaixonou pela fotografia aos 17 anos quando veio de Amargosa (cidade natal) para Salvador trabalhar em um laboratório fotográfico. Lá se identificou com o universo das imagens, aprendeu o processo de revelação de fotos, ainda de forma manual. Tal experiência influenciou no direcionamento de sua carreira e lhe deu conhecimento técnico para que pudesse revelar as suas próprias fotografias, inclusive de forma a poder imprimir, com precisão, as cores que vê na natureza.

Iniciou sua carreira como autônomo fazendo fotos para eventos e, no dia 23 de setembro de 1999, fez a abertura de sua primeira exposição fotográfica, em homenagem à primavera, trabalho que já revelava a sua futura trajetória como fotógrafo de natureza. Dali em diante não parou mais. Começou a fotografar a Chapada Diamantina, sua cultura e seu povo em 1999. Desde então, percorreu grande parte da região, conhecendo e registrando lugares inóspitos, pouco frequentados. Aprofundou-se mais na pesquisa da fauna, flora e dos vários aspectos locais. Gerando o livro “Chapada Diamantina, Um Paraíso Desconhecido”, premiado através da Gráfica IPSIS, como o livro mais bem impresso do Brasil.

Rui Rezende também já lançou os livros “Encantos de Tinharé e Cairu- Cidade do Sol”, que exaltam as belezas naturais e a cultura das vinte e seis ilhas que formam o Arquipélago de Tinharé (Baixo Sul da Bahia). Para além das fronteiras da Bahia, ele já fotografou grande parte do Brasil e também do exterior. Registrou, através de fotos aéreas, as belezas naturais e o avanço do desmatamento em trabalhos de cunho ambientalista. Produziu imagens para a rede de ONGs da Mata Atlântica, que foram expostas na conferência Internacional Rio+10, em Johannesburgo, na Àfrica do Sul. Também produziu fotos e utilizou parte de seu acervo para realizar exposições itinerantes em parceria com as ONGs Gambá e Centro Sapucaia, ambas em áreas de preservação ambiental.

Outra vertente do seu trabalho, ainda como retratista de natureza, é produzir imagens abstratas explorando mais seu olhar artístico e neste tema já vem tendo suas fotos utilizadas em vários projetos de Arquitetura e Decoração no cenário nacional, inclusive mostras de decoração. Ele não teme o perigo. Se o foco está em obter a foto desejada, Rui corre risco, não se deixa abater nem pela fome, sede, frio ou calor e espera horas ou até dias para conseguir a imagem perfeita, a foto ideal. Rezende prefere ser chamado de retratista e tem como meta fotografar o mundo e o que nele habita.

Alô Alô Salomão

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