Uma reportagem divulgada pelo portal G1 Bahia e pelo jornal Correio nesta sexta-feira (3) revelou quem são os dez advogados presos durante a Operação Sintonia de Gravata, considerada uma das maiores ofensivas já realizadas na Bahia para desarticular a comunicação entre facções criminosas e seus integrantes custodiados no sistema prisional.
Segundo as investigações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia e pelas forças de segurança, os profissionais são suspeitos de atuar como intermediários na transmissão de ordens entre líderes de organ
izações criminosas presos em unidades de segurança máxima e comparsas em liberdade. A apuração aponta que esse canal clandestino de comunicação teria permitido a continuidade de atividades ilícitas, incluindo o tráfico de drogas, a negociação de armas de fogo, a movimentação de recursos financeiros e a tomada
de decisões estratégicas das facções.
A operação cumpriu mandados de prisão contra dez advogados e 12 detentos já custodiados, além de mandados de busca e apreensão em diferentes municípios baianos. Durante as diligências, foram recolh
idos celulares, computadores e documentos que serão analisados para aprofundar as investigações e identificar outros possíveis envolvidos.
Conforme divulgado pelo G1 Bahia e pelo Correio, os advogados presos atuavam na defesa de investigados apontados como integrantes ou chefes de facções criminosas com atuação em diversas regiões do estado. As autoridades apuram se, durante atendimentos jurídicos, houve utilização indevida das prerro
gativas da advocacia para favorecer a comunicação entre líderes presos e membros das organizaçõe
s em liberdade.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA) informou que acompanha o caso por meio de sua
Comissão de Direitos e Prerrogativas e destacou que solicitará acesso aos autos do inquérito para avaliar a adoção das medidas disciplinares previstas no Estatuto da Advocacia, caso sejam constatadas infrações ético-disciplinares.
Quem são os investigados:
Conforme a reportagem publicada pelo G1 Bahia e pelo jornal Correio, os dez advogados presos são apont
ados pelas investigações como responsáveis por atuar na defesa de investigados ligados a diferentes
organizações criminosas com atuação na Bahia. Segundo as autoridades, cada um deles teria vínculo profission
al com integrantes ou líderes de facções específicas. Confira quem são:
* Maria Tereza Novaes Martins – Segundo as investigações, atuava na defesa de Victor de Freitas Silva, conhe
cido como “Da Jega”, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho (CV) com atuação em Feira de Santana.
* Izabela da Silva de Oliveira – É investigada por suposta atuação em favor de Averaldo Ferreira da Silva Filh
o, o “Averaldinho”, apontado como um dos líderes do Bonde do Maluco (BDM), em Salvador.
* Luan Mascarenhas de Souza – Atuava na defesa de Francisleno de Jesus Nunes. Os crimes atribuídos a
o cliente não foram detalhados pelas autoridades.
* Ícaro Cardoso Viana – Defendia Gleidson Bomfim do Nascimento, Ademilton Mercês Alves e Décio Dou
glas Silva Oliveira, conhecido como “Vaqueiro”, apontado como um dos chefes do BDM.
* Luã Santos da Costa – Atuava na defesa de Leandro da Conceição Santos Fonseca, o “Léo Gringo”,
apontado como um dos líderes do BDM na Bahia, além de Wesley Willian Alves dos Santos.
* Fernanda Oliveira Borges – Defendia Marlos Araújo Souza Júnior, conhecido pelos apelidos “Bolão”, “CRM” e “JR”, apontado como integrante do Terceiro Comando Puro (TCP), com atuação em Senhor do Bonfim.
* Tamires Felix Alves Silva – Atuava na defesa de Décio Douglas Silva Oliveira,o“Vaqueiro”, apontado como liderança do BDM.
* Maria Mariana Batista de Oliveira – Defendia Fabio Santana Oliveira, o “Panda”, apontado como chefe do
Comando Vermelho na região de Capim Grosso; José Lucas Silva Rocha, o “Índio”, integrante do CV em
Eunápolis; e Victor de Freitas Silva, o “Da Jega”, líder da facção em Feira de Santana.
* Raiza da Silva – Até o momento, as autoridades não informaram quem era o cliente da advogada investigada.
* Joanderson Almeida dos Santos – Foi o décimo advogado preso na operação. As autoridades também n
ão divulgaram, até o momento, qual investigado era assistido por ele.


























